equilíbrio


29 Oct

essa canção faz parte do projeto do álbum feito em casas que está em andamento. estamos enfrentando o desafio de gravar em um período totalmente atípico, em função da pandemia e de suas nefastas repercussões em nosso castigado brasil.

equilíbrio. o tema me é fascinante, talvez por representar uma tendência natural. dizem que o universo é o caos em certa ordem, ou que é feito de doses equilibradas entre bagunça e calmaria. vivemos num tempo e lugar onde há brutais desequilíbrios. e forças que reagem incansáveis na tentativa de, no mínimo, pensar "outro mundo" possível. a letra passeia de forma lúdica por “imagens de equilíbrio”, desde o mais simples, como aquele que precisamos ter para caminhar. ou daquele que nos garante alguma paz. o respeito à diversidade, por exemplo, é uma forma de equilíbrio que garante convívio em um mesmo território. a ideia da letra é, também, fazer chegar ao público a potência desta palavra e de suas ramificações semânticas.

na corda bamba de bicicleta
no movimento do caminhar
em qualquer dança, qualquer mudança
na atitude que vai tomar

na ponte estreita sobre a lagoa
no balanço da canoa, subindo rio
descendo escada de madrugada
no desabalo, no desafio

no território de convívio, o equilíbrio

pra quem alerta a comunidade
passando a limpo uma notícia
chegando ao topo da humildade
sendo ladrão ou sendo polícia

pra quem reclama, pra quem se cala
pra quem se entrega ao lugar de fala
pra quem descansa, pra quem labuta
pra quem respeita o lugar de escuta

no território de convívio, o equilíbrio

pra quem desperta com muito sono
pra quem precisa, mas não quer ir
no remelexo do trem das horas
bolando plano pra não cair

a lata d’água sobre a cabeça
e pra cabeça poder lembrar
a lei da ação e da reação
na história de uma plúrima relação

no território de convívio, o equilíbrio

                                                                                      

ficha técnica:                                                   

mário falcão – composição, voz e violões;
ricardo arenhaldt – bateria;
everson vargas – baixo;
zé ramos – guitarra;
fernando sessé – percussão, kaossilator, wavedrum e mpc.
mixagem e masterização: tiago becker (soma).