
QUANDO TE VI (mp3)
Quando te vi pensei não estar aqui /
Um outro mundo no mesmo lugar /
Com quantas raças se faz uma cor
E quantas cores tem o Largo do Mercado até o Chalé
Entre São Paulo e Buenos Aires vou /
Cantando do Guaíba a Viamão /
Isso porque tua geografia li /
Do alto do morro da televisão
O marinheiro que atraca no porto / Não entende a Mauá / Coisa da enchente que nunca se dá
O aeromóvel não saiu da Usina / Mas causou escarcéu / Vem frente fria de Montevidéu
A meninada que brinca na harmonia / Não dá conta que o dia tá chegando ao fim
O colorido vai ficando bonito / Sobre o lago galante que um dia foi rio
Quando te vi pensei não estar aqui / Um outro mundo no mesmo lugar / Com quantas raças se faz uma cor
E quantas cores tem o Largo do Mercado até o Chalé
Entre São Paulo e Buenos Aires vou / Cantando do Guaíba a Viamão / Isso porque tua geografia li / Do alto do morro da televisão
Tem certos dias que o asfalto derrete / O sol repete o refrão - Quero Ipanema sem poluição!
Perdi o
A meninada que brinca na harmonia / Não dá conta que o dia tá chegando ao fim
O colorido vai ficando bonito / Sobre o lago galante que um dia foi rio
É minha casa, minha Redenção / A meia-taça de café com pão / De bicicleta, trilho por aí
Não há mais bondes, mas a vida continua seu passar
A passarada canta de manhã / Tem muito verde e isso é bom sinal / Se tu não sabes bem por onde vou
Eu digo: Porto Alegre, meu amor
Músicos da gravação:
Mário Falcão - violão e voz,
Zé Ramos - guitarra,
Michel Dorffman - teclado,
Clóvis Boca Freire - baixo e
Ricardo Arenhaldt - bateria
Sem Bairrismo:
O samba-choro composto em fevereiro de 2004, por Mário Falcão e Cármen Nunes, traz várias cenas porto-alegrenses que vão sendo encadeadas no passeio de um cantor-personagem. Do colorido da diversidade sócio-cultural, expressa pelos transeuntes que formigam entre o Mercado Público e o Chalé da Praça XV, até o que se dá ao pôr-do-sol sobre o lago galante que um dia foi rio. Aponta as coordenadas geográficas. Porto Alegre está aproximadamente eqüidistante de São Paulo e de Buenos Aires, duas das principais cidades da América do Sul, e, em outro sentido, entre o Lago Guaíba e Viamão. Nesse verso, há a intenção de provocar, dubiamente, o sentido de que se vê a mão formada pelo Guaíba e seus cinco afluentes. Cita o morro da televisão, histórico belvedere de nossa cidade. A letra bole com os polêmicos muro da Mauá e Aeromóvel e com uma frase muitas vezes repetida por aqui: vem frente fria de Montevidéu. Fala também dos dias de muito calor e das praias, como a do bairro Ipanema, reforçando um desejo comum a todos: o de ver aquele balneário sem poluição. Em seguida, faz menção a nossa tradicional Feira do Livro. Brinca com o fato de o cantor, apesar de ter perdido o ônibus (Linha Jardim Botânico), não estar com pressa de chegar no chatô, palavra utilizada pelo ilustre compositor Lupicínio Rodrigues, no samba "Se acaso você chegasse". Fala da meia-taça de café, termo antigo ainda utilizado por muitos porto-alegrenses, e dos bondes, que riscaram por muito tempo as vias da cidade. Os parques Harmonia e Redenção são lembrados de maneira carinhosa, mas indireta, aproveitando a riqueza dessas palavras, que aparecem como substantivos comuns. Cita os pássaros e a arborização abundante, características importantes e que elevam a qualidade de vida. Há ainda uma peculiaridade na letra. Para o ouvinte que não conhece a cidade,a sucessão de imagens cantada guarda até seu último verso um certo mistério, desvendado com a declaração final.
Os autores:

Cármen Nunes é arquiteta. No universo das formas, não escapa do seu interesse a composição do texto, o estudo da Língua Portuguesa, suas nuanças e riqueza sonora. Em 2003, participou da publicação do livro Mulheres Poetando e da oficina A Poesia na Letra de Música, ministrada por Caetano Silveira e organizada pela Prefeitura Municipal.